

2026-05-29
Por +Factos
Baixar a idade estatutária de reforma para os 65 anos custaria 2.500 milhões de euros por ano, um valor superior ao que seria poupado eliminando totalmente despesas públicas frequentemente criticadas. Mesmo acabando com a evasão fiscal, os apoios não contributivos a cidadãos estrangeiros, o RSI e rubricas como as remunerações dos deputados ou as subvenções a partidos, políticos e campanhas eleitorais, o total fica claramente abaixo do necessário. Os dados mostram que a discussão em torno destas despesas não resolve o problema de financiamento que a antecipação da reforma colocaria.
A discussão em torno de uma eventual descida da idade da reforma tem tido algum destaque no debate público português, ao longo das últimas semanas. Mas, qual seria o seu custo e como o financiar?
De acordo com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, baixar a idade estatutária de reforma para os 65 anos custaria 2.500 milhões de euros por ano — um valor que não seria coberto nem que se eliminassem simultaneamente algumas das despesas públicas frequentemente apontadas no debate público. Mesmo acabando com a evasão fiscal, os apoios não contributivos a cidadãos estrangeiros, o RSI, as remunerações dos deputados, os subsídios a partidos e campanhas eleitorais, o orçamento da Presidência da República e as subvenções vitalícias a ex-políticos e juízes, o total ficaria ainda aquém dos 2.500 milhões necessários; ficava-se pelos 1.851 milhões de euros.
A maior dessas rubricas — a evasão fiscal, estimada em 1.038 milhões de euros anuais pela Tax Justice Network — representa menos de metade do custo da medida, para além de ser irrealista pensar que é possível acabar totalmente com a evasão fiscal. As restantes rubricas têm um impacto orçamental bem menor, em alguns casos até residual. Os apoios não contributivos pagos pela Segurança Social a cidadãos de nacionalidade estrangeira, incluindo RSI, prestações familiares ou o apoio ao pagamento da renda, representam 348 milhões de euros e o RSI pago aos cidadãos de nacionalidade portuguesa representa 323 milhões de euros. As remunerações da Assembleia da República somam 69 milhões, as subvenções a partidos e campanhas eleitorais 41 milhões, o orçamento da Presidência da República 22 milhões, e as subvenções vitalícias a ex-políticos e juízes do Tribunal Constitucional apenas 11 milhões.
Os números ilustram a dimensão do desafio financeiro que a antecipação da idade estatutária de reforma para os 65 anos colocaria. O debate público tende a focar-se em despesas consideradas injustas ou evitáveis, mas a sua eliminação total — quase todas de execução irrealista — não chegaria para financiar a medida.
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