

2026-05-20
Por +Factos
O declínio do salário real entre gerações tem marcado o percurso de muitos jovens qualificados em Portugal. Através de um exemplo fictício entre pai e filho — ambos enquadrados na categoria profissional de quadro superior e com qualificações semelhantes — é possível observar que, apesar de salários nominais mais elevados, os trabalhadores mais jovens podem hoje ter menos poder de compra do que a geração anterior. Depois de ajustados à inflação, os rendimentos líquidos atuais revelam uma perda real face aos valores auferidos há duas décadas, refletindo o impacto combinado do fraco crescimento salarial, da carga fiscal e do aumento do custo de vida.
O que separa os rendimentos de duas gerações?
Manuel e Pedro são pai e filho. O Pedro decidiu seguir as pisadas do pai: tem uma função semelhante, qualificações comparáveis e está enquadrado na mesma categoria profissional: quadro superior.
Esta categoria abrange trabalhadores com elevada qualificação técnica, como engenheiros, médicos, juristas, economistas e outros profissionais especializados. O Pedro estudou numa boa universidade e empenhou-se para conseguir uma boa oportunidade profissional. Mas, depois de descontar quase 800 euros por mês em IRS e Segurança Social — a que acresce ainda a contribuição patronal de 23,75% paga pelo empregador — o Pedro recebe 1.737 euros líquidos. Em termos reais, isto representa 268 euros a menos por mês do que o pai recebia em 2003. Manuel recebia 1.334 euros líquidos na altura, mas esse valor equivaleria hoje a mais de 2.000 euros, ajustando pela inflação.
Assim, apesar de ter seguido o mesmo percurso qualificado, o Pedro tem hoje menos poder de compra do que o pai tinha há duas décadas. À sua volta, muitos antigos colegas de universidade fazem as malas, atraídos por salários mais altos no estrangeiro.
Nota: Os nomes e a entidade empregadora são fictícios. Os valores refletem médias reais em Portugal para a categoria profissional analisada. Nesta série, “Declínio Salarial entre Gerações”, mostraremos também, nos próximos dias, o impacto deste fenómeno nos quadros médios.
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