

2026-05-28
Por +Factos
Os salários nominais dos trabalhadores qualificados aumentaram ao longo das últimas décadas, mas isso não se traduziu necessariamente em maior poder de compra. A comparação entre duas gerações de trabalhadores enquadrados na categoria de quadro médio mostra que, mesmo exercendo funções semelhantes e possuindo qualificações comparáveis, os trabalhadores mais jovens podem hoje ganhar menos em termos reais do que os seus pais. Depois de ajustados à inflação, os rendimentos líquidos atuais revelam uma perda real face aos valores auferidos há duas décadas, refletindo o impacto combinado do fraco crescimento salarial, da carga fiscal e do aumento do custo de vida.
Se tens a mesma profissão que os teus pais, é possível que estejas a ganhar menos do que eles.
Um exemplo prático: Maria e Beatriz, mãe e filha, pertencem a gerações diferentes, mas têm percursos profissionais muito semelhantes. Beatriz tem a mesma profissão da mãe com a sua idade, exerce funções enquadradas na categoria profissional de quadro médio. Possuem qualificações comparáveis e desempenham responsabilidades semelhantes dentro da mesma empresa.
A categoria dos quadros médios abrange trabalhadores com elevada qualificação técnica, como chefes de departamento, gerentes de loja, gestores de produto comercial, analistas de sistemas, fisioterapeutas, educadores de infância e outros profissionais especializados.
Apesar de a Beatriz se ter empenhado para conseguir uma boa oportunidade profissional, leva hoje para casa um rendimento com menos poder de compra do que a mãe recebia, há mais de vinte anos. Depois dos descontos para o IRS e a Segurança Social — a que acresce ainda a contribuição patronal de 23,75% suportada pela entidade empregadora — o salário líquido mensal da Beatriz ronda os 1.342 euros. Já a Maria, em 2003, recebia 976 euros líquidos, que, atualizados pela inflação, correspondem atualmente a quase 1.500 euros mensais.
Isto significa que, apesar de os salários nominais terem aumentado ao longo das últimas décadas, o poder de compra real dos quadros médios diminuiu. Em termos reais, para desempenhar funções semelhantes, a nova geração recebe menos do que a anterior
(nota: Os nomes e a entidade empregadora são fictícios. Os valores refletem médias reais em Portugal para a categoria profissional analisada.)
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